05 de February - 2012 - 16:47
Cento e sessenta e nove candidatos indígenas
disputarão 10 vagas para os cursos de Agronomia, Enfermagem e
Obstetrícia, Engenharia Florestal, Medicina e Nutrição
oferecidos pela Universidade de Brasília (UnB). As provas
serão aplicadas neste sábado, em Barra do Corda (MA),
Barra do Garças (MT), Ji-Paraná (RO), Redenção
(PA) e Brasília. O teste é composto de 100 questões,
que avaliarão o conhecimento dos candidatos em Língua
Portuguesa, Literatura, Matemática, Biologia, Física,
Geografia, História, Química, e Redação.
O
vestibular é resultado de um convênio firmado entre a
Fundação Nacional do Índio (Funai), o Ministério
da Educação (MEC) e a UnB, em 13 de maio de 2004, e vem
sendo realizado desde 2006, com o objetivo de formar e capacitar
profissionais de etnia indígena para trabalhar dentro das
comunidades.
“Nós fazemos a seleção de
candidatos com base em toda a documentação apresentada,
que deve comprovar se o interessado tem ou não alguma ligação
com a aldeia que representa. Os candidatos preenchem um questionário,
no qual falam de suas vidas dentro das aldeias, de suas experiências
como parte da comunidade indígena, e apresentam um formulário,
que é assinado por lideranças indígenas e
anexado no edital das avaliações”, informou a
diretora do Acompanhamento e Integração Acadêmica
da UnB, Nina Paula Laranjeira.
Segundo ela, o documento é
avaliado por uma comissão composta por membros do comitê
gestor do convênio entre a Funai, a UnB e o MEC, que decidem
pela homologação ou não da inscrição
do candidato. A diretora explica que o objetivo é oferecer às
comunidades indígenas acesso às universidades públicas
e formar profissionais qualificados para atuação dentro
das comunidades.
“A cada vestibular nós vamos mudando os
locais das provas para atender as comunidades indígenas em
diversas regiões do país, e o número de vagas é
definido pela Funai, entidade responsável pela concessão
de bolsas estudantis para que os estudantes permaneçam em
Brasília”, disse.
Ela lembra que as vagas oferecidas não
fazem parte do sistema de cotas. “São vagas extras, criadas
através do convênio estabelecido entre as partes, e a
avaliação é simplificada, em função
da disponibilidade de realização das provas destes
candidatos. São cobradas matérias convencionais, mas a
prova é diferente, com apenas 100 questões, para que os
interessados possam fazê-la em um só dia.”
QUALIDADE DE VIDA
Para Dorinha Nauá,
cacique da comunidade indígena de Pankará (PE), a
formação de profissionais de etnia indígena é
fundamental para manter a qualidade de vida no interior das
comunidades. “Todo o conhecimento adquirido nas universidades é
repassado para a comunidade, e o nosso interesse é que estes
profissionais retornem a seu local de origem”, disse.
A cacique
afirma que atualmente a comunidade Pankará sofre com a
ausência de profissionais qualificados de etnia indígena,
e que a oportunidade de formação ajudará na
preservação de toda a cultura tradicional. “Hoje,
temos muitos profissionais não indígenas atuando no
interior das comunidades e o que nós queremos são
políticas de educação e saúde específicas
e diferenciadas, que respeitem as nossas tradições.”
Para
o cacique Ubirajara Fernandes, líder da comunidade Pankararú
(PE), a iniciativa é fundamental para a preservação
da cultura indígena dentro das comunidades. “É muito
importante que os indígenas se capacitem para estarem aptos a
formar novos profissionais dentro das comunidades, que possam exercer
papéis fundamentais, como o de médicos, advogados,
dentistas. É importante que estes conhecimentos se apliquem
nas comunidades sem que a nossa cultura seja invadida, e o governo,
ONGs e outros grupos sociais deveriam procurar politizar os jovens
para que conheçam a Constituição, os direitos
dos povos indígenas, e para que as políticas
estabelecidas cheguem efetivamente às comunidades.”
Fernandes
ressalta que hoje há dois médicos indígenas
formados em Cuba trabalhando na comunidade Pankararú e que há
jovens estudando Direito e Medicina em universidades de Tocantins,
Brasília e outros Estados. “É necessário abrir
espaço para as comunidades indígenas nas escolas e
universidades públicas do Brasil”, disse.
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