O
titulo acima infelizmente é uma triste realidade que vem acontecendo há
anos, tanto na aldeia do Jaguapirú como na Bororó, sem que as
autoridades competentes busquem uma solução perante a escalada sem
controle dos altos índices de violência, principalmente às relacionadas
ao tráfico e consumo de drogas, como a maconha, o crack, bebidas
alcoólicas, e também a prostituição infanto-juvenil que acontece nas
duas comunidades.
A reportagem, em contato com alguns indígenas que residem no interior
das reservas, apurou que somente um trabalho coletivo envolvendo a
própria Funai (Fundação Nacional do Índio), MPF (Ministério Público
Federal), MPE (Ministério Público Estadual) através do Juizado da
Infância e da Juventude, PF (Polícia Federal), PM (Polícia Militar) e
Civil, perícia da Polícia Civil e do Detran (Departamento de Trânsito),
OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) através da Comissão dos Direitos
Humanos e demais órgãos ligados às causas das etnias, para que os
inúmeros problemas de ordem social e psicológica devam ser no mínimo,
amenizados, e o combate ao tráfico de drogas e a prostituição sejam
verdadeiramente combatidas, com os supostos envolvidos nos dois crimes
sendo processados e presos dentro dos conformes das Leis criminais
brasileira.
Automotores
Nas consultas feitas aos indígenas, a reportagem foi informada que nas
duas comunidades, o fluxo de veículos, tanto automóveis, utilitários e
principalmente motocicletas é muito grande, principalmente no período
noturno, com muitos deles suspeitos de serem ilícitos. “Ali tem carro
até com placa do Rio de Janeiro” contou um dos indígenas, acrescentando
que neste bojo há também muitas motocicletas que deveriam ser
apreendidas e submetidas à perícia, tanto da Polícia Civil como do
Detran, para averiguar a origens delas. “Muitos dos que possuem moto lá
dentro só andam à noite, e a maioria dos condutores não é habilitada.
Isso é inadmissível, não é”, concluiu o indígena, lembrando que a
presença de “estranhos” principalmente entre os jovens, é também muito
grande nas duas comunidades.
Além destes meios de transportes acima citados, consta também que até
animais provavelmente furtados ou trazidos da cidade se encontram nas
duas comunidades. “Tem cachorro de raça; cabra; aves e até cavalos, que
deveriam ser checados a origens deles pela polícia”, acrescentaram os
denunciantes, reafirmando que somente uma mega-operação policial poderá
fazer com que a paz e a tranqüilidade sejam retomadas na aldeia do
Jaguapirú, e mais precisamente na Bororó, esta, apontada como uma das
comunidades indígenas mais pobres do país.
“Antigamente nós andávamos pelas nossas estradas vicinais
tranquilamente, qualquer hora do dia ou da noite. Hoje, principalmente
à noite, nos finais de semana e feriados prolongados, isso não é
possível mais, pois corremos riscos de sermos atacados por grupos de
jovens viciados em drogas ou embriagados. Até pra nós irmos à igreja
temos que ir e voltar em grupo, mais ainda assim corremos o risco de
sermos atacados no trajeto, ou ter nossas casas arrombadas”, relatou os
indígenas. “Toda a violência na nossa comunidade, como tentativas de
homicídios e homicídios, ou estão envoltos com a bebida alcoólica ou
com drogas”, disse o grupo.
Tráfico de drogas
Entre as mais diversas atividades ilícitas nas reservas indígenas, o
tráfico de drogas atualmente é o que mais apavora as famílias tanto da
Jaguapirú como da Bororó, uma vez que os capitães e os caciques nada
podem fazer para combater os envolvidos com a prática deste crime.
“Lembra que a polícia ou à guarda, sei lá, aprendeu pedras de crack lá
no Canaã I, na porta de uma escola e ele que era um menor disse que
havia comprado a droga na aldeia daqui. Eu não duvido disso não”,
relembrou o fato o entrevistado a reportagem lembrando que o tráfico de
drogas corre solto nas aldeias e nada está sendo feito por parte das
autoridades para que ele seja coibido.
Neste caso citado pelo indígena, vale ressaltar que foi uma equipe da
Guarda Municipal que flagrou o menor vendendo droga nas proximidades da
escola no Canaã I, na periferia da cidade.
O grupo de índios voltou a acrescentar que além do tráfico de drogas
estar correndo “solto” no interior das reservas, ele também possui uma
extensão constante, que é em direção aos plantios de canas para as
destilarias. “Nos ônibus que levam e trás os índios para trabalharem no
campo, também é levado drogas para serem vendidas ou consumidas por
lá”, assegurou alguns dos indígenas que convive o dia a dia com os
trabalhadores rurais.
Detran/MS
Questionados de o porquê querer o Detran nas aldeias douradenses, os
indígenas disseram que era para fazer umas vistorias nos carros e motos
que circulam pelas estradas vicinais das comunidades, bem como checar
qual dos condutores seriam ou não habilitados. “A noite é uma festa de
carros e motos indo e vindo para tudo que é lado das aldeias. Tem muita
gente com carro e moto legalizado, assim como habilitados, mais uma
grande maioria, além de não ser habilitada, também possui veículos de
procedências suspeitas. Daí a presença do Detran acompanhado de peritos
para fazer uma ampla checagem nisso” disse o grupo a reportagem.
Prostituição
No quesito prostituição infanto/juvenil nas aldeias, esse problemas é
outra realidade triste que deve ser combatida. Todavia, trata-se de um
problema social e de falta de perspectiva que leva as garotas a se
prostituírem por preços irrisórios, principalmente na cidade. “É
lamentável isso, mais é uma verdade que ninguém busca sanar este mal
que está em alta nas aldeias dado a miséria em que vive uma grande
parte de crianças e adolescentes. É verdade que tem garota que se
entrega a um homem de corpo e alma até por 10 reais. Isso é muito
triste, é lamentável”, disseram os indígenas, reafirmando que somente
uma ação coletiva com a participação conjunta das autoridades nas
aldeias, para que a paz e a tranqüilidade sejam restabelecidas entre as
comunidades.
“Com esta devassa coletiva acontecendo, acreditamos que os autores de
ilícitos seriam identificados e punidos de acordo com as Leis e as
nossas crianças e os adolescentes poderiam ter uma melhor perspectiva
de vida. A devassa nas aldeias seria para nós a realização de um
sonho”, encerrou o líder do grupo a reportagem.
Fonte: Folha de Dourados