Dourados - Mato Grosso do Sul - Brasil, 05 de February de 2012.

Reserva Indígena precisa de uma devassa com urgência

05 de February - 2012 - 17:09

O titulo acima infelizmente é uma triste realidade que vem acontecendo há anos, tanto na aldeia do Jaguapirú como na Bororó, sem que as autoridades competentes busquem uma solução perante a escalada sem controle dos altos índices de violência, principalmente às relacionadas ao tráfico e consumo de drogas, como a maconha, o crack, bebidas alcoólicas, e também a prostituição infanto-juvenil que acontece nas duas comunidades.

A reportagem, em contato com alguns indígenas que residem no interior das reservas, apurou que somente um trabalho coletivo envolvendo a própria Funai (Fundação Nacional do Índio), MPF (Ministério Público Federal), MPE (Ministério Público Estadual) através do Juizado da Infância e da Juventude, PF (Polícia Federal), PM (Polícia Militar) e Civil, perícia da Polícia Civil e do Detran (Departamento de Trânsito), OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) através da Comissão dos Direitos Humanos e demais órgãos ligados às causas das etnias, para que os inúmeros problemas de ordem social e psicológica devam ser no mínimo, amenizados, e o combate ao tráfico de drogas e a prostituição sejam verdadeiramente combatidas, com os supostos envolvidos nos dois crimes sendo processados e presos dentro dos conformes das Leis criminais brasileira.


Automotores
Nas consultas feitas aos indígenas, a reportagem foi informada que nas duas comunidades, o fluxo de veículos, tanto automóveis, utilitários e principalmente motocicletas é muito grande, principalmente no período noturno, com muitos deles suspeitos de serem ilícitos. “Ali tem carro até com placa do Rio de Janeiro” contou um dos indígenas, acrescentando que neste bojo há também muitas motocicletas que deveriam ser apreendidas e submetidas à perícia, tanto da Polícia Civil como do Detran, para averiguar a origens delas. “Muitos dos que possuem moto lá dentro só andam à noite, e a maioria dos condutores não é habilitada. Isso é inadmissível, não é”, concluiu o indígena, lembrando que a presença de “estranhos” principalmente entre os jovens, é também muito grande nas duas comunidades.

Além destes meios de transportes acima citados, consta também que até animais provavelmente furtados ou trazidos da cidade se encontram nas duas comunidades. “Tem cachorro de raça; cabra; aves e até cavalos, que deveriam ser checados a origens deles pela polícia”, acrescentaram os denunciantes, reafirmando que somente uma mega-operação policial poderá fazer com que a paz e a tranqüilidade sejam retomadas na aldeia do Jaguapirú, e mais precisamente na Bororó, esta, apontada como uma das comunidades indígenas mais pobres do país.

“Antigamente nós andávamos pelas nossas estradas vicinais tranquilamente, qualquer hora do dia ou da noite. Hoje, principalmente à noite, nos finais de semana e feriados prolongados, isso não é possível mais, pois corremos riscos de sermos atacados por grupos de jovens viciados em drogas ou embriagados. Até pra nós irmos à igreja temos que ir e voltar em grupo, mais ainda assim corremos o risco de sermos atacados no trajeto, ou ter nossas casas arrombadas”, relatou os indígenas. “Toda a violência na nossa comunidade, como tentativas de homicídios e homicídios, ou estão envoltos com a bebida alcoólica ou com drogas”, disse o grupo.


Tráfico de drogas
Entre as mais diversas atividades ilícitas nas reservas indígenas, o tráfico de drogas atualmente é o que mais apavora as famílias tanto da Jaguapirú como da Bororó, uma vez que os capitães e os caciques nada podem fazer para combater os envolvidos com a prática deste crime. “Lembra que a polícia ou à guarda, sei lá, aprendeu pedras de crack lá no Canaã I, na porta de uma escola e ele que era um menor disse que havia comprado a droga na aldeia daqui. Eu não duvido disso não”, relembrou o fato o entrevistado a reportagem lembrando que o tráfico de drogas corre solto nas aldeias e nada está sendo feito por parte das autoridades para que ele seja coibido.

Neste caso citado pelo indígena, vale ressaltar que foi uma equipe da Guarda Municipal que flagrou o menor vendendo droga nas proximidades da escola no Canaã I, na periferia da cidade.

O grupo de índios voltou a acrescentar que além do tráfico de drogas estar correndo “solto” no interior das reservas, ele também possui uma extensão constante, que é em direção aos plantios de canas para as destilarias. “Nos ônibus que levam e trás os índios para trabalharem no campo, também é levado drogas para serem vendidas ou consumidas por lá”, assegurou alguns dos indígenas que convive o dia a dia com os trabalhadores rurais.


Detran/MS
Questionados de o porquê querer o Detran nas aldeias douradenses, os indígenas disseram que era para fazer umas vistorias nos carros e motos que circulam pelas estradas vicinais das comunidades, bem como checar qual dos condutores seriam ou não habilitados. “A noite é uma festa de carros e motos indo e vindo para tudo que é lado das aldeias. Tem muita gente com carro e moto legalizado, assim como habilitados, mais uma grande maioria, além de não ser habilitada, também possui veículos de procedências suspeitas. Daí a presença do Detran acompanhado de peritos para fazer uma ampla checagem nisso” disse o grupo a reportagem.


Prostituição
No quesito prostituição infanto/juvenil nas aldeias, esse problemas é outra realidade triste que deve ser combatida. Todavia, trata-se de um problema social e de falta de perspectiva que leva as garotas a se prostituírem por preços irrisórios, principalmente na cidade. “É lamentável isso, mais é uma verdade que ninguém busca sanar este mal que está em alta nas aldeias dado a miséria em que vive uma grande parte de crianças e adolescentes. É verdade que tem garota que se entrega a um homem de corpo e alma até por 10 reais. Isso é muito triste, é lamentável”, disseram os indígenas, reafirmando que somente uma ação coletiva com a participação conjunta das autoridades nas aldeias, para que a paz e a tranqüilidade sejam restabelecidas entre as comunidades.

“Com esta devassa coletiva acontecendo, acreditamos que os autores de ilícitos seriam identificados e punidos de acordo com as Leis e as nossas crianças e os adolescentes poderiam ter uma melhor perspectiva de vida. A devassa nas aldeias seria para nós a realização de um sonho”, encerrou o líder do grupo a reportagem.


Fonte:  Folha de Dourados 

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