Isabela Vieira
A pobreza, no entanto, também é
a realidade dos índios de países considerados
desenvolvidos, como o Canadá, os Estados Unidos, a Austrália
e a Nova Zelândia. Lá, a população
indígena tem os indicadores sociais mais baixos e é
vítima do avanço da obesidade e do diabetes tipo 2,
além da baixa expectativa de vida. Na Austrália, a
expectativa de vida de um aborígene é em média
20 anos menor do que a dos demais indivíduos.
A falta de apoio para a utilização
de conhecimentos tradicionais e para a instalação de
sistemas que atendam de maneira diferenciada essa população,
além de problemas de ordem cultural como a discriminação
e a falta de perspectivas de vida, refletem-se em problemas de saúde
como alcoolismo que pode levar ao diabetes – que já atinge
mais da metade dos índios do mundo – e nas taxas de
suicídio.
“Em algumas comunidades, a diabetes alcançou
níveis de epidemia e é um risco à existência
dos índios”, afirma o relatório da ONU, que também
destaca o avanço da Aids, trazida pela prostituição,
em muitos casos, e da tuberculose. “Por causa da pobreza, a
tuberculose afeta desproporcionalmente os indígenas”,
invisíveis devido a diferenças linguísticas,
distâncias geográficas e precárias condições
de habitação.
O relatório da ONU sobre a situação
dos povos indígenas no mundo também lembra que nas
últimas duas décadas, centenas de jovens Guarani
Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, cometeream suicídio.
Dados do Ministério da Saúde, coletados entre 2000 e
2005 mostram que em duas comunidades a taxa de suicídio era 19
vezes maior que a taxa nacional.
“A situação dos Kaiowá
resume os principais problemas indígenas do Brasil.
Desnutrição, suicídio, alcoolismo, desemprego,
falta de terras e violência”, disse Marcos Terena,
articulador do Comitê Intertribal – Memória e Ciência
Indígena (ITC) ao comentar os resultados do levantamento. “O
Mato Grosso do Sul é considerado o estado do país mais
violento para os índios, onde os poderes pecuaristas e
políticos avançaram demais”, criticou.
De acordo com a pesquisa, o baixo acesso a
mecanismos que garantam condições de sobrevivência
a essas comunidades como terra, saúde, educação
e participação nas decisões políticas e
econômicas em seus países têm explicações
históricas. O documento conclui que a colonização
e a expropriação fundiária são
responsáveis por esses indicadores.
Agência Brasil