05 de February - 2012 - 17:20
O
Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul
recebeu na tarde de ontem terça-feira (09) uma
comissão especial, composta por membros do Conselho de Defesa
dos Direitos Humanos da Pessoa Humana (CHDPH) da Secretaria Especial
dos Direitos Humanos da Presidência da República, a fim
de discutir a situação indígena, principalmente
os da etnia Guarani Kaiowá e Nandeva no Estado.
De
acordo com o Diretor de Defesa dos Direitos Humanos, Fernando
Matos a comissão especial percorreu algumas aldeias,
onde receberam denuncias de abuso de poder por parte de policiais
contra os indígenas que moram na Aldeia Passo Piraju. Outra
reclamação dos indígenas é o não
atendimento da Policia Militar às questões emergenciais
que ocorrem dentro das aldeias.
Além
de Fernando Matos, por parte da comissão especial,
participaram da reunião a Procuradora Federal em Dourados,
Karine Martins; o Antropólogo do Ministério Público
Federal, Marcos Homero; o Procurador da Republica de Dourados, Marco
Antonio Delfino de Almeida; o Coordenador do Programa de Proteção
aos Defensores dos Direitos Humanos, Ivan Marques.
Já
do Ministério Publico participaram o Procurador-Geral em
exercício, Olavo Monteiro Mascarenhas e os Procuradores de
Justiça, Mauri Valentim Riciotti; Hudson Shiguer Kinashi e
Belmires Soles Ribeiro; além do Ouvidor do MPE, o Promotor de
Justiça Celso Antônio Botelho de Carvalho e a Assessora
do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça da
Infância e da Juventude, Denise Oliveira da Silveira Xavier.
A
comissão esteve reunida com representantes dos
indígenas, de antropólogos, da FAMASUL, com o
Governador do Estado André Puccinelli. Ainda durante a estada
em Mato Grosso do Sul, está prevista reunião com
representantes da Assembléia Legislativa.
O
intuito dessas reuniões é de estabelecer o diálogo
entre todos os envolvidos nas questões indígenas para
que as mesmas possam ser dirimidas da melhor maneira.
A
vinda até o MP serviu para verificar a disponibilidade da
Instituição em participar das resoluções
que possam dar a melhor tratativa à questão indígena.
A Procuradora
Federal em Dourados, Karine Martins relatou várias situações
que acontecem no município, uma delas é a prisão
de índios acusados de estupro.
Essa
situação ocorre devido ao costume de que os casamentos
acontecem com as indígenas que já passaram pela
primeira menarca, ou seja, não há crime de estupro,
apenas estão seguindo as tradições.
“Não
podemos enquadrá-los às nossas leis sem antes
observamos a cultura deles”.
Já
o Procurador de Justiça Mauri Valentim Riciotti avaliou que a
questão indígena precisa ser tratada como a questão
de violência contra a mulher.
“Como
a Lei Maria da Penha, foi criada e divulgada e hoje norteia todo o
assunto de violência contra as mulheres, vejo que a
problemática que envolve os indígenas deveria ser
tratada da mesma forma”.
Sobre
a titularidade terras em MS, o Diretor de Defesa dos Direitos Humanos
Fernando Matos disse que a discussão será inevitável
e ela efetivamente ocorrerá, pois o que ele tem observado em
nosso Estado é que os produtores rurais não estão
preocupados propriamente com a desapropriação, mas
se a indenização será justa.
Para
finalizar o Diretor Fernando Matos disse que a comissão
especial irá redigir um relatório, contendo as
informações apuradas em Mato Grosso do Sul, contendo
ainda algumas recomendações apontando possíveis
soluções.
Antes,
porém, esse relatório é entregue ao CHDPH e
assim que aprovado serão encaminhadas cópias a todos os
envolvidos para que tais recomendações sejam colocadas
em pratica em nosso Estado.
Expostos
os problemas e os possíveis encaminhamentos que as questões
indígenas poderão receber o Procurador-Geral em
exercício, Olavo Monteiro Mascarenhas disse que o MP tem
interesse em participar, tanto que vê essa possibilidade em um
trabalho de força tarefa entre o Ministério Público
Estadual e Federal juntamente com a Polícia Militar.
“Assim
que recebermos o relatório do CHDPH poderemos tentar dirimir
essas questões com a integração entre o MPE, MPF
e PM”, avaliou.
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