Índios descumprem acordo e mantêm ocupação na sede da Funai em Brasília
05 de February - 2012 - 17:24
Cerca de 150 índios permanecem ocupando a sede da Funai (Fundação
Nacional do Índio), em Brasília, nesta terça-feira. Eles estão no local
desde o início da semana passada em protesto contra o decreto 7.056,
assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 28 de dezembro
do ano passado.
A pedido da fundação, a Justiça havia
determinado que os manifestantes deixassem o local na última
sexta-feira (15). Porém, um acordo permitiu que eles permanecessem no
prédio até as 17h de ontem.
A assessoria de imprensa da
fundação chegou a informar ontem que todas as lideranças indígenas
haviam concordado em desocupar o prédio de quatro andares de forma
pacífica e que apenas uma comissão de até 40 indígenas permaneceria na
capital, para dar continuidade ao diálogo com o governo federal.
Entretanto,
apenas metade do grupo que ocupava o local --impedindo a entrada de
funcionários-- decidiu deixar o prédio. A intenção dos que ficaram,
segundo lideranças, é continuar pressionando pela renúncia do
presidente do órgão, Márcio Meira.
De acordo com a assessoria
da fundação, Meira tem realizado reuniões com algumas tribos que
participam da ocupação para tentar explicar o decreto de reestruturação
que, segundo ele, está sendo mal interpretado. Entretanto, parte deles
resiste até mesmo em se encontrar com o presidente do órgão.
Eles
alegam não ter o que dialogar com a atual administração e pedem uma
audiência com o presidente Lula e com o ministro da Justiça, Tarso
Genro.
Decreto
O decreto de reestruturação da Funai
prevê a criação de 36 coordenações regionais, em vez das atuais 45
administrações regionais, e de 297 unidades locais, que terão atuação
semelhante à dos atuais 337 postos indígenas (atuantes nas principais
aldeias do país).
O maior problema, segundo lideranças da
manifestação, é que, caso o decreto entre em vigor, os índios de alguns
Estados que possuem administrações regionais terão de viajar para
outras cidades em busca de auxílio da Funai.
É o caso de
alguns índios potiguara, que participam da manifestação em Brasília.
Eles reclamam do possível fechamento da administração regional da Funai
de João Pessoa.
De acordo com eles, a Funai quer que os índios
assistidos pela administração pernambucana --terceira maior população
de índios do Brasil-- passem a ser atendidos pelas unidades de
Fortaleza, Maceió e Paulo Afonso.
Os índios também dizem que
não foram consultados sobre o documento proposto por Márcio Meira e
assinado por Lula, conforme prevê a convenção 169 da OIT (Organização
Internacional do Trabalho) sobre Povos Indígenas e Tribais.
Entretanto,
o presidente da Funai, Márcio Meira, argumenta que está havendo um erro
de interpretação sobre o decreto. Segundo ele, nenhuma unidade será
fechada, mas reestruturada e passará a ser uma coordenação técnica.