Igrejas na aldeia
05 de February - 2012 - 16:47
Jaqueline Gonçalves – Índia Kaiowá
AJI – Ação de jovens indígenas de Dourados
Nos utimos anos o numero de igrejas tem crescido muito dentro da aldeia de Dourados, tanto na Jaguapiru e na Bororó, muitos indígenas tem frequentado as igrejas pentecostal Deus é Amor, a igreja da Missão Caiuá,e outros. De acordo com dados levantados em setembro de 2009 pela AJI (Ação de jovens indígenas de Dourados) GAPK (Grupo de apoio aos povos Guarani e Aruak) na aldeia são 64 igrejas, grande parte delas construídas de alvenarias outras de construção de madeira aberta e outras funcionam nas próprias residências, mas esse numero já cresceu nos utimos dias.
A igreja tem levado muitas pessoas a deixarem seus vícios como drogas e bebidas alcoólicas, mas o indígena tem que passar a frequentar a igreja e andar de acordo com suas doutrinas.

A pentecostal Deus é Amor tem pregado doutrinas muito fortes dentro da aldeia onde quem mais sofre com isso são os adolescentes. Já presenciei adolescentes que frequentaram as igrejas e como deve andar de acordo com as regras os jovens tem que raspar a cabeça, usar roupa social, e as meninas saia abaixo do joelho, não pode cortar o cabelo e muito menos usar maquiagem. Isso é um dos fatores que bate de frente com a adolescência, pois é a fase onde os jovens estão se conhecendo, onde as novidades são muitas em suas vidas, e muitos desses jovens frequentaram a igreja por conta que o pai ou a mãe frequenta, mas com a adolescência isso gera um conflito muito grande. Na aldeia Bororó teve um caso onde um menino de 14 anos membro desta igreja parou de frequentar por conta que seus amigos todos tinham uma liberdade, a liberdade de sair, de jogar futebol, de ouvir musica, assistir televisão, e isso ele não podia fazer pois sua igreja não permitia, o menino ficou revoltado saiu da igreja e hoje diz que tem uma vida legal, de liberdade de expressar a sua beleza, de ser igual aos outros colegas de escola. Sua mãe hoje continua a frequentar a igreja, ele diz que ainda vai a igreja mas não quer mais ser membro, pois era impedido de tudo. E hoje ele joga futebol, assiste, sai com os colegas, e diz que sente mais feliz.
Outro caso é que essa igreja além de ter muitas na aldeia, os cultos são todos os dias, e é um barulho enorme quando oram, cantam. Já presenciei indígenas da comunidade dizendo que é uma poluição sonora, uma indígena disse “cada um com sua religião, mas sem invadir a privacidade dos outros” disse ela incomodada com o forte barulho vindo da igreja.
Já a igreja da missão e suas extensões na aldeia não tem exigido muito destes jovens, e há muitos jovens que frequentam essas igrejas, e tem tido uma vida feliz.
Jovem é jovem, com tudo a mil por hora e essas doutrinas são muito delicadas para eles e acabam prejudicando suas vidas.
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