Dourados - Mato Grosso do Sul - Brasil, 22 de February de 2012.

Encontro de direitos humanos discute situação indígena no Brasil

22 de February - 2012 - 15:16

SÃO PAULO - A questão indígena é o que mais preocupa os movimentos de direitos humanos no país. Hoje, dezenas de ativistas se reuniram em São Paulo para o lançamento do relatório anual da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, recebendo um grupo de índios kaiowá-guarani, de Mato Grosso do Sul, que denunciou a ação sistemática de pistoleiros nos acampamentos.

Segundo o secretário-geral do Conselho Internacional da Nação Guarani, Oriel Benites, só neste ano foram feitos três graves atentados às comunidades, com disparos de armas, espancamentos e incêndio criminoso das tendas dos acampamentos. O cacique Nizio Gomes e três crianças foram assassinados. E o corpo do líder indígena ainda não foi localizado.

— Nós, kaiowá-guarani, estamos numa situação caótica em relação ao nosso direito. A sociedade precisa ser equilibrada em termos de respeito. Mas, lá no meu estado, no Mato Grosso do Sul, isso não está acontecendo. E há muitos feridos. Na região de Iguatemi, as pessoas foram barbaramente espancadas. Um idoso só sobreviveu porque fingiu que estava morto e foi jogado em um buraco — disse Benites.

O advogado Aton Fon Filho, um dos organizadores do relatório, afirmou que a situação dos índios é o que mais chama a atenção dos movimentos de direitos humanos hoje no Brasil.

— O que mais nos preocupa é a questão indígena, principalmente no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul. O Estado precisa reprimir imediatamente o que está acontecendo. Precisa reprimir a violência e intermediar o conflito, levando em conta os tratados internacionais assinados pelo Brasil de proteção aos índios.

Aton Fon Filho defendeu a intervenção com a Força Nacional que, segundo, o líder indígena Benites, só esteve nas comunidades guarani do Mato Grosso do Sul quando elas foram visitadas pela comissão de direitos humanos do Palácio do Planalto.

— Estamos pedindo para que a Força Nacional volte — disse Benites.

Segundo Aton, a situação dos índios no Centro-Oeste preocupa mais do que a polêmica em torno da construção da usina de Belo Monte no Pará e seu impacto sobre a comunidade indígena amazônica.

Os ativistas colocam como centro da crise indígena o agronegócio e a demarcação de terras. Segundo o relatório, “das 1.023 terras indígenas existentes, apenas 360 estão regularizadas”. O relatório aponta ainda 37 assassinatos de índios este ano, sendo 26 no Mato Grosso do Sul, tendo como alvo os kaiowá-guarani.


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