05 de February - 2012 - 16:57
BOA VISTA - Na abertura da Reunião Ampliada do Conselho Indígena de Roraima (CIR), na tarde de quinta-feira (3), o líder indígena Jacir José de Souza disse que os índios precisam pensar e planejar o futuro com o objetivo de elaborar projetos destinados a desenvolver não só a Raposa Serra do Sol, mas todas as terras indígenas de Roraima
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Primeiro a gente batia a cabeça sobre como a gente iria conseguir a
demarcação das nossas terras. Agora precisamos nos organizar para
desenvolver as terras que temos. Recebemos as terras destruídas pelos
arrozeiros, por isso temos que pensar também como reconstruir isso e
recuperar o meio ambiente -, afirma Jacir de Souza.
Ele também
foi enfático em afirmar que os índios não devem se abater pelas
cobranças imediatas dos não-índios. Afirmou que os arrozeiros não
demoraram somente dois ou três anos para desenvolver o plantio.
Projetos
O
CIR discutiu na tarde de ontem, projetos de desenvolvimento da
agricultura com representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai).
Desde
2005, existem recursos na ordem de R$ 2,5 milhões destinados ao plantio
de roça e ferramentas. Mas a burocracia não permitiu que esse montante
fosse aplicado, conforme observou o coordenador de Desenvolvimento
Comunitário da Funai, Martinho Andrade, ex-administrador regional do
órgão em Roraima.
Esse grande projeto destinado a plantio e
outros programas de auto-sustentação foi enviado pelo CIR antes de
Martinho assumir a coordenação desse departamento,
No ano seguinte, em 2008, chegou
o período eleitoral, que impede qualquer liberação de recurso no
período de julho a outubro, atrasando ainda mais a formalização do
convênio. Encerrado esse período, em 14 novembro foi feita a
transferência de recursos.Mas a legislação que rege os processos
licitatórios acabou empurrando a realização de pregões para o final de
dezembro, quando também encerra o exercício dos órgãos públicos e o
dinheiro que não foi aplicado retorna.
Segundo o administrador
regional da Funai, Gonçalo Teixeira, mesmo assim a administração local
conseguiu realizar pregões que totalizaram cerca de R$ 240 mil, o que
permitiu promover algumas ações de auxílio às comunidades. Mesmo assim,
boa parte desse recurso ainda não foi repassada à administração local
outra vez por causa da burocracia.
Agora, para 2010, o CIR
deverá reformular esse projeto, pois os índios analisaram que algumas
propostas precisam ser repensadas devido à própria vocação produtiva de
cada região, pois não adianta pensar plantar determinado produto numa
região onde o clima não é propício, por exemplo. Esses projetos serão
prioridades dos coordenadores regionais daqui para frente, conforme
observou o coordenador-geral do CIR, Dionito José de Souza.
Martinho
Andrade voltou na manhã de sexta-feira para esclarecer bem essa questão
do projeto que ficou pendente. Ele disse que para 2010 serão envidados
todos os esforços para que esse convênio seja formalizado.(MM)
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