Dourados - Mato Grosso do Sul - Brasil, 05 de February de 2012.

Cidadania indígena

05 de February - 2012 - 16:43

Mato Grosso está próximo de um grande salto para a melhoria da qualidade de vida dos índios Paresi, e mais especificamente dos 429 indivíduos daquela etnia que vivem nas aldeias da reserva Utiariti, de 408.187,13 hectares nos municípios de Campo Novo do Parecis e Sapezal, no Chapadão do Parecis.

O salto acontecerá imediatamente após a inauguração da pavimentação dos 61,8 km da MT-235, a “Rodovia do Índio”, em Utiariti, solenidade agendada pelo governador Blairo Maggi para o dia 24 deste mês.

A pavimentação é antiga reivindicação de moradores em sua área de influência, dentro e fora das aldeias indígenas, e de motoristas do transporte pesado juntamente com o empresariado desse setor. Com sua incorporação à malha rodoviária Mato Grosso ganhará alternativa de rota ao Corredor Noroeste, e o mesmo acontecerá no sentido contrário, em relação ao tráfego do Acre e Rondônia para o Centro-Sul.

Os índios reivindicavam a pavimentação porque sabiam que seriam contemplados com a exploração das praças de pedágios nos extremos da rodovia nas divisas de sua área, no rio Verde, município de Campo Novo do Parecis e perto daquela cidade, e no rio Papagaio, ao lado do Restaurante do Pubi, no limite de Campo Novo do Parecis e Sapezal.

Os índios que defendiam o asfaltamento são elementos de um povo cujos jovens estudam na rede estadual e alguns cursam faculdades em Tangará da Serra e Cuiabá, que utilizam veículos e motos. Há algumas gerações os Paresi estão perfeitamente bem integrados com a sociedade envolvente.

A obra significará mais fluxo de veículos num canto de Utiariti, e isso se traduzirá em maior receita financeira por meio do pedágio, que anteriormente era cobrado, porem incidindo sobre menos usuários.

Com maior receita os moradores de Utiariti serão independentes, não necessitarão mais reivindicar a complicada assistência da Funai e Funasa, embora tais direitos permaneçam assegurados constitucionalmente. Por esse ângulo a Rodovia do Índio é uma espécie de carta de cidadania plena aos seus beneficiários, sem que essa condição lhes roube os costumes e tradições transmitidos de geração a geração.

Em termos de logística a Rodovia do Índio cria rota alternativa ao Corredor Noroeste, facilita e encurta a ligação de Cuiabá com Porto Velho, amplia os horizontes do mercado inter-regional no Chapadão do Parecis e abre passagem ao escoamento seguro e mais barato de considerável fatia da safra agrícola mato-grossense.

Quando cortar a fita simbólica da Rodovia do Índio, Blairo Maggi transformará um sonho coletivo em realidade, sonho esse que foi compartilhado por seu pai, o colonizador, pioneiro no Chapadão e primeiro prefeito de Sapezal, André Antônio Maggi, falecido em 22 de abril de 2001.

1 Comentário >>

e muito importante olhar todos iguais.assim melhoramos o preconceito no mundo.viva a igualdade.....
vanessa em Thursday, 11/November/2010 16:20:07

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