Mato Grosso está próximo de um
grande salto para a melhoria da qualidade de vida dos índios Paresi, e
mais especificamente dos 429 indivíduos daquela etnia que vivem nas
aldeias da reserva Utiariti, de 408.187,13 hectares nos municípios de
Campo Novo do Parecis e Sapezal, no Chapadão do Parecis.
O salto acontecerá imediatamente após a inauguração da
pavimentação dos 61,8 km da MT-235, a “Rodovia do Índio”, em Utiariti,
solenidade agendada pelo governador Blairo Maggi para o dia 24 deste
mês.
A pavimentação é antiga reivindicação de moradores em sua área
de influência, dentro e fora das aldeias indígenas, e de motoristas do
transporte pesado juntamente com o empresariado desse setor. Com sua
incorporação à malha rodoviária Mato Grosso ganhará alternativa de rota
ao Corredor Noroeste, e o mesmo acontecerá no sentido contrário, em
relação ao tráfego do Acre e Rondônia para o Centro-Sul.
Os índios reivindicavam a pavimentação porque sabiam que
seriam contemplados com a exploração das praças de pedágios nos
extremos da rodovia nas divisas de sua área, no rio Verde, município de
Campo Novo do Parecis e perto daquela cidade, e no rio Papagaio, ao
lado do Restaurante do Pubi, no limite de Campo Novo do Parecis e
Sapezal.
Os índios que defendiam o asfaltamento são elementos de um
povo cujos jovens estudam na rede estadual e alguns cursam faculdades
em Tangará da Serra e Cuiabá, que utilizam veículos e motos. Há algumas
gerações os Paresi estão perfeitamente bem integrados com a sociedade
envolvente.
A obra significará mais fluxo de veículos num canto de Utiariti, e isso
se traduzirá em maior receita financeira por meio do pedágio, que
anteriormente era cobrado, porem incidindo sobre menos usuários.
Com maior receita os moradores de Utiariti serão
independentes, não necessitarão mais reivindicar a complicada
assistência da Funai e Funasa, embora tais direitos permaneçam
assegurados constitucionalmente. Por esse ângulo a Rodovia do Índio é
uma espécie de carta de cidadania plena aos seus beneficiários, sem que
essa condição lhes roube os costumes e tradições transmitidos de
geração a geração.
Em termos de logística a Rodovia do Índio cria rota alternativa ao
Corredor Noroeste, facilita e encurta a ligação de Cuiabá com Porto
Velho, amplia os horizontes do mercado inter-regional no Chapadão do
Parecis e abre passagem ao escoamento seguro e mais barato de
considerável fatia da safra agrícola mato-grossense.
Quando cortar a fita simbólica da Rodovia do Índio, Blairo Maggi
transformará um sonho coletivo em realidade, sonho esse que foi
compartilhado por seu pai, o colonizador, pioneiro no Chapadão e
primeiro prefeito de Sapezal, André Antônio Maggi, falecido em 22 de
abril de 2001.